Não tem outra palavra para dar título a este post. A pequena em questão é mesmo uma boneca. Fiquei encantada quando a vi chegando, desfilando linda com um dos vestidos fofíssimos que a mãe escolheu para a sessão e que ela vestia com o maior orgulho. Menininhas nessa fase são muito graciosas e delicadas, já antecipando o jeitinho que terão quando ficarem um pouco maiores.
Foi muito gostoso fotografá-la. Sorridente e ativa, ela não parou um minuto e acompanhá-la em suas descobertas pelo parque foi só o que precisei fazer para conseguir fotos maravilhosas. Ela é muito sapeca e esperta e sabe bem o que quer: estava disposta a tudo, menos a sujar os pezinhos na grama ou na terra do parque. Mas tudo bem, acho que ela já descobriu os encantos do mundo da moda e, vaidosa, queria mostrar os lindos sapatos modelo “boneca” que combinam tanto com seu estilo!
A mãe me contou que ela adora assitir ao slide-show da sessão e fica falando mil vezes seu nome enquanto vê as fotos passando!
Antes de colocar as minhas fotos favoritas, alguns recados aqui do blog!
Brevemente colocarei à venda uma Nikon D300 e duas lentes. Ainda não tive tempo de fazer as fotos para o blog e fechar o preço, mas quem quiser enviar um e-mail manifestando interesse, é só clicar aqui que assim que tiver mais detalhes entrarei em contato.
Em março, comemorando a chegada do outono e o sucesso do blog, que está tendo mais de 600 visitantes por dia, farei um novo concurso. Este vai ser diferente de todos os outros, então fiquem de olho e participem!
Tenho visto em meus relatórios de acessos ao blog e ao site que muita gente tem chegado aqui em busca de informações sobre sessão de fotos de recém-nascidos, nas quatro primeira semanas de vida. Quem quiser ver uma amostra deste trabalho, clique aqui.
A seguir, as fotos:
Há quatro anos, quando coloquei no ar a primeira versão do meu site de fotografia, escolhi “True Colors” para ser o fundo musical. Desde então, já atualizei o site várias vezes, mudei o design, acrescentei fotos e textos, mas a música permaneceu.
Ela resume exatamente o que eu busco: fazer brilhar as verdadeiras cores de cada um que passa pela lente da minha câmera.
Quando comecei a editar as fotos desta sessão, sem perceber estava cantarolando True Colors, e foi assim que escolhi a música deste slide-show.
Quem acompanha meu trabalho sabe que embora a cor seja um elemento forte do meu estilo, eu também adoro e sempre faço fotos em preto e branco. Mas nesta sessão, eu vi colorido. Todas as fotos trasbordavam cor. Vez ou outra, eu fazia uma conversão para o pb, mas sempre a cor vencia e quando terminei, vi que pela primeira vez fiz uma sessão inteiramente em cores. E da mesma forma que as fotos determinaram o colorido, foi esta pequena que determinou o que seria a sessão. Pois esse é o segredo para as fotos espontâneas que todo mundo quer: saber olhar.
Mas não se enganem, para se entregar ao espontâneo, é preciso planejar. Sempre digo que a sessão não pode começar sem duas coisas: atenção e intenção. Quando chego à locação, sempre antes que o cliente, observo a luz, exploro cada canto do lugar, descubro a paleta de cores disponíveis e os elementos visuais que posso usar nas fotos. Quando quem será fotografado chega, eu observo o jeito, as roupas, as cores e combino tudo isso com a observação que fiz do local. Em poucos minutos, enquanto troco as primeiras palavras, vou combinando o que vejo nas pessoas e o que vi na locação e começo a constuir a sessão. Num primeiro momento, embora possa parecer, nada é por acaso. Cada escolha tem intenção, fruto da observação atenta que faço de todos os fatores.
O resultado dessa parceria entre atenção e intenção é que eu fico pronta para o principal: o momento verdadeiro. Como um pintor, que nos momentos de inspiração pinta freneticamente sem precisar pensar para misturar as tintas, chega um momento da sessão em que tudo se encaixa, é quase como se eu pudesse antecipar cada movimento, cada gesto, e capturá-lo para sempre, inserido numa composição onde tudo faz sentido. Eu fico totalmente ligada nas pessoas, nas relações, nos movimentos e desenho as fotos à medida que acontecem, sabendo exatamente onde está cada elemento disponível sem precisar olhar, aproveitando a luz sem precisar pensar e me movendo de forma a incluir o que desejo na foto.
É importante não confundir intenção com direção, a intenção é como se fosse o esboço, mas a pincelada não está pronta, ela vem da interação verdadeira e da sensibilidade na captura e sempre surpreende.
Um exemplo desta sessão: ainda no começo, chamou a minha atenção uma folha enorme caída na grama, enfeitada por uma pequena flor amarela. Logo veio a intenção de colocar a pequena modelo neste cenário. Imaginei que talvez ela brincasse com a flor, compondo uma cena delicada. Mas ela tinha outras idéias: em menos de um segundo, jogou tudo para o alto, com uma expressão linda de felicidade. E eu fotografei sem parar, porque o mais lindo é sempre o que não óbvio e onde eu vi flor, ela viu tronco, e me mostrou feliz seu maior tesouro, do qual não se separou durante toda a sessão – e que levou para casa no final! Esse pequeno tronco foi flor, boneca, telefone e apareceu, glorioso!, em quase todas as fotos! E enriqueceu a sessão com verdade, que é pra mim a grande revelação!
Eu não busco nem quero que a criança represente a minha visão. Eu quero que ela se sinta à vontade comigo para me mostrar quem é. Nem me passaria pela cabeça colocar a folha e a flor de volta no lugar que estavam, pedir que ela ficasse pertinho delas e sorrisse pra mim. Não. Eu não faço assim. Seria um grande desperdício, e na minha opinião não existe desperdício maior que o da verdade. É ela que faz a foto e é ela que nós faz quem somos.
Esta sessão foi um grande presente para mim. Fiz fotos que tenho certeza que estarão entre as minhas favoritas para sempre. Com esta pequena, vi o que não é óbvio, vi o mais simples, vi o mais lindo. E foi tudo tão tranquilo que nem vi o tempo passar. Ela é um encanto. Enquanto andava atrás dela pelo bosque, ela parou e estendeu os bracinhos para mim, pedindo colo. Fez isso mais de uma vez, cheia de doçura e confiança. Pena que essa foto, com a “modelo” em meu colo, eu não pude tirar, já que a câmera perdeu o lugar.
Poderia terminar dizendo que foi a primeira vez que fotografei uma criança com síndrome de down. Mas isso não fez a menor diferença. Todas as sessões encerram alguma primeira vez, e se não fosse sempre assim, se fosse sempre igual, não teria o mesmo encanto para mim. O que eu busco no meu trabalho, e sempre encontro, é o que faz com que cada um de nós seja único.
São as tais cores verdadeiras que diz a música. São tantas as nuances que até hoje não fiz uma sessão que fosse igual à outra. São essas diferenças que me inspiram. Que seja sempre assim!
Finalmente estou postando aqui no blog a sessão que eu prometi com a linda menininha do post abaixo. Este mês foi corrido, além de muito trabalho, tive problemas com meu computador e acabei tendo que trocar de equipamento. Por sorte não perdi nenhum arquivo, já que faço back-up de tudo para um disco externo (essencial para quem trabalha com fotografia!), mas foi uma trabalheira até deixar o computador no ponto, com todos os meus programas instalados e funcionando bem, arquivos transferidos e monitor calibrado. Agora está tudo certo e vou colocar tudo em dia aqui também!
Aproveito para agradecer a um amigo aqui do blog que me ajudou muito nessa fase, tirando todas as minhas dúvidas a respeito de computadores, configurações e upgrades. Muitos leitores que acompanham meu blog se dizem agradavelmente surpresos com a minha disponibilidade em ajudar, mas garanto, o retorno que eu recebo vale muito mais! Tenho conhecido gente muito bacana aqui e posso dizer que este blog só me trouxe boas surpresas!
Hoje tentei colocar em dia os e-mails que me enviaram. Digo tentei porque, com essa troca de computadores, passei alguns dias usando webmail e sei que alguma coisa se perdeu nessa confusão. Se vc me escreveu e eu não respondi, por favor envie novamente!
Agora, sobre a sessão:
Primeiro, a música: Dream. Não poderia ser outra. Desde o dia que fizemos as fotos, está na minha cabeça. Sei que muita gente tem usado, outro dia apareceu até na trilha sonora do meu seriado preferido, “Brothers and Sisters”, um dos únicos programas que vejo na tv atualmente e, confesso, não perco um episódio. Mesmo não sendo original, a música cai como uma luva aqui. Fala de uma menininha brincando entre as árvores, como se o bosque fosse sua casa, oferecendo folhas a seus convidados de mentirinha e rindo na sua linda cama de folhas verdes! A música fala de sonho, do tempo que passa, de uma vida bem vivida… O slide-show ficou grande, tanto que a música toca duas vezes, mas eu gostei assim!
Pouco mais de três anos se passaram desde aquela primeira sessão, e esta pequena continua linda e especial! É incrível como se relaciona com a câmera, como seus olhos falam, como ela se move para assumir as poses mais fotogênicas, as composições mais interessantes, o desenho mais que perfeito dos seus gestos. Parece que ela sabe o que eu quero, adivinha o que estou pensando, mas ao mesmo tempo, é tudo muito natural, cheio de suavidade, delicadeza e a graça típica da infância. Seu olhar continua profundo e expressivo. Em um instante é uma modelo compenetrada, no minuto seguinte, é uma menininha levada, que brinca, dança, dá risada quando eu quase levo um tombo, conta piadas e se diverte fazendo um enorme buquê de folhas. Uma criança adorável, que tem um lugar especial em meu coração!
Ontem, tive um momento em que pude, mais uma vez, comprovar o poder e a importância da fotografia. Passei horas com a minha filha e meu pai, vendo fotos antigas de família, guardadas a vida inteira pela minha avó em uma caixa de sapatos, que agora pertence a meu pai. Foram momentos muito bons, cheios de recordações, de história e de saudade. Vi fotos de meus antepassados e toda a história da minha vida em retratos que eram enviados à minha avó pelos meus pais, quando eu era pequena, e depois por mim, quando já adulta continuei o hábito, porque ela sempre morou em outra cidade e acompanhava nossa vida através das fotografias. Foi com muita emoção que vi fotos de minha infância, a mais marcante delas que corresponde a uma das minhas primeiras lembranças: aos três ou quatro anos, brincando de escalar a sombra de uma árvore, no gramado da casa que vivíamos. Olhando aquela foto, consegui sentir o cheiro da grama, o calor daquelas tardes longas de verão que pareciam durar uma eternidade, a alegria de ser livre para brincar… E foi só o começo de uma viagem pelo passado, passaram pelas minhas mãos fotos que são até hoje minhas preferidas, outras que eu tinha esquecido, instantâneos de momentos que pensei que eram importantes e não foram, outros que eu achei que eram para sempre e passaram, outros que eram decisivos e eu nem sabia… E tudo isso, o que faz e não faz sentido, é a minha vida, uma colcha de retalhos que forma a minha história. Horas mais tarde, ao finalizar o slide-show aqui do blog, mais uma vez me dei conta da magia dessa profissão, que me faz reviver a infância, resgatar um pouco daquela menininha entre as árvores que um dia eu fui e ao mesmo apreciar a beleza que há na vida, suas nuances, passagens, mudanças, e ver que está aqui, intacta, a minha capacidade de sonhar…
No post logo abaixo, fizemos uma viagem na máquina do tempo da fotografia! Hoje, estamos de volta para o futuro! Mais de três anos depois, uma nova sessão com esta linda pequena. O tempo passou, mas a intensidade e a beleza dela permanecem. Foi uma sessão maravilhosa, que assim que editar vou postar aqui. Por hoje, só uma foto. Ao futuro…