Luciana Prado Fotografia

Cores e flores

Há quatro anos, quando coloquei no ar a primeira versão do meu site de fotografia, escolhi “True Colors” para ser o fundo musical. Desde então, já atualizei o site várias vezes, mudei o design, acrescentei fotos e textos, mas a música permaneceu.
Ela resume exatamente o que eu busco: fazer brilhar as verdadeiras cores de cada um que passa pela lente da minha câmera.
Quando comecei a editar as fotos desta sessão, sem perceber estava cantarolando True Colors, e foi assim que escolhi a música deste slide-show.
Quem acompanha meu trabalho sabe que embora a cor seja um elemento forte do meu estilo, eu também adoro e sempre faço fotos em preto e branco. Mas nesta sessão, eu vi colorido. Todas as fotos trasbordavam cor. Vez ou outra, eu fazia uma conversão para o pb, mas sempre a cor vencia e quando terminei, vi que pela primeira vez fiz uma sessão inteiramente em cores. E da mesma forma que as fotos determinaram o colorido, foi esta pequena que determinou o que seria a sessão. Pois esse é o segredo para as fotos espontâneas que todo mundo quer: saber olhar.
Mas não se enganem, para se entregar ao espontâneo, é preciso planejar. Sempre digo que a sessão não pode começar sem duas coisas: atenção e intenção. Quando chego à locação, sempre antes que o cliente, observo a luz, exploro cada canto do lugar, descubro a paleta de cores disponíveis e os elementos visuais que posso usar nas fotos. Quando quem será fotografado chega, eu observo o jeito, as roupas, as cores e combino tudo isso com a observação que fiz do local. Em poucos minutos, enquanto troco as primeiras palavras, vou combinando o que vejo nas pessoas e o que vi na locação e começo a constuir a sessão. Num primeiro momento, embora possa parecer, nada é por acaso. Cada escolha tem intenção, fruto da observação atenta que faço de todos os fatores.
O resultado dessa parceria entre atenção e intenção é que eu fico pronta para o principal: o momento verdadeiro. Como um pintor, que nos momentos de inspiração pinta freneticamente sem precisar pensar para misturar as tintas, chega um momento da sessão em que tudo se encaixa, é quase como se eu pudesse antecipar cada movimento, cada gesto, e capturá-lo para sempre, inserido numa composição onde tudo faz sentido. Eu fico totalmente ligada nas pessoas, nas relações, nos movimentos e desenho as fotos à medida que acontecem, sabendo exatamente onde está cada elemento disponível sem precisar olhar, aproveitando a luz sem precisar pensar e me movendo de forma a incluir o que desejo na foto.
É importante não confundir intenção com direção, a intenção é como se fosse o esboço, mas a pincelada não está pronta, ela vem da interação verdadeira e da sensibilidade na captura e sempre surpreende.
Um exemplo desta sessão: ainda no começo, chamou a minha atenção uma folha enorme caída na grama, enfeitada por uma pequena flor amarela. Logo veio a intenção de colocar a pequena modelo neste cenário. Imaginei que talvez ela brincasse com a flor, compondo uma cena delicada. Mas ela tinha outras idéias: em menos de um segundo, jogou tudo para o alto, com uma expressão linda de felicidade. E eu fotografei sem parar, porque o mais lindo é sempre o que não óbvio e onde eu vi flor, ela viu tronco, e me mostrou feliz seu maior tesouro, do qual não se separou durante toda a sessão – e que levou para casa no final! Esse pequeno tronco foi flor, boneca, telefone e apareceu, glorioso!, em quase todas as fotos! E enriqueceu a sessão com verdade, que é pra mim a grande revelação!

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Eu não busco nem quero que a criança represente a minha visão. Eu quero que ela se sinta à vontade comigo para me mostrar quem é. Nem me passaria pela cabeça colocar a folha e a flor de volta no lugar que estavam, pedir que ela ficasse pertinho delas e sorrisse pra mim. Não. Eu não faço assim. Seria um grande desperdício, e na minha opinião não existe desperdício maior que o da verdade. É ela que faz a foto e é ela que nós faz quem somos.
Esta sessão foi um grande presente para mim. Fiz fotos que tenho certeza que estarão entre as minhas favoritas para sempre. Com esta pequena, vi o que não é óbvio, vi o mais simples, vi o mais lindo. E foi tudo tão tranquilo que nem vi o tempo passar. Ela é um encanto. Enquanto andava atrás dela pelo bosque, ela parou e estendeu os bracinhos para mim, pedindo colo. Fez isso mais de uma vez, cheia de doçura e confiança. Pena que essa foto, com a “modelo” em meu colo, eu não pude tirar, já que a câmera perdeu o lugar. ;-)
Poderia terminar dizendo que foi a primeira vez que fotografei uma criança com síndrome de down. Mas isso não fez a menor diferença. Todas as sessões encerram alguma primeira vez, e se não fosse sempre assim, se fosse sempre igual, não teria o mesmo encanto para mim. O que eu busco no meu trabalho, e sempre encontro, é o que faz com que cada um de nós seja único.
São as tais cores verdadeiras que diz a música. São tantas as nuances que até hoje não fiz uma sessão que fosse igual à outra. São essas diferenças que me inspiram. Que seja sempre assim!

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Para ver uma versão maior do slide-show, clique aqui.
A seguir, uma seleção das minhas fotos favoritas:
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Dicas de Fotografia: Desfocando o fundo

Muitos leitores aqui do blog me perguntam como são feitos os fundos desfocados das minhas fotos. Tem gente que acha que é tudo feito no photoshop. O programa realmente tem um filtro de desfoque, cujo resultado não chega aos pés do desfoque feito na câmera, além de dar muito mais trabalho e por isso não recomendo. Aliás, não uso o photoshop para esse tipo de ajuste: eu gosto mesmo é de fotografar, fazer a foto na hora, não coloco na edição nada que não tenha sido registrado no momento do click, não sou fã de muita manipulação digital. Tem gente que faz coisa muita legal, mas eu acho que vira uma outra categoria de imagem, uma forma de arte, também, sem dúvida, mas que não combina com a minha visão da fotografia e com o que eu quero expressar.
Eu uso o photoshop para ajustes de cor, brilho e contraste e as correções que faço são sutis, como atenuar uma olheira ou desaparecer com uma espinha enxerida que não tinha nada que aparecer na testa de alguém no dia da sessão de fotos, entre outras pequenas questões.
Mas voltando ao desfoque: em retratos, ele é fundamental. Ele dá profunididade à foto, separa a pessoa do fundo, dá destaque ao assunto e cria uma ilusão tridimensional. Além disso, o fundo fica estilizado, torna-se uma interpretação artística do real que valoriza muito as fotos. Alguns fundos, quando desfocados, assumem características que lembram uma pintura impressionista e não é à toa que esse é meu movimento favorito na pintura.
E qual é o segredo para desfocar o fundo? Essa é uma questão que qualquer bom livro de fotografia explica. Resumindo: três fatores propiciam esse desfoque: a abertura da lente (quanto mais aberta, menor a profundidade de campo, maior o desfoque), a distância focal da lente (as teles tem menor profundidade de campo e portanto são mais propícias ao desfoque) e a distância entre o modelo e o fundo (quanto mais longe o fundo estiver do modelo, maior o desfoque). Claro que é preciso muito treino, porque quando a zona de foco é estreita a exatidão do foco torna-se mais crítica, vc precisa focar perfeitamente no assunto, caso contrário ele vai ficar desfocado também, e o foco vai estar onde não interessa, como no botão da blusca ou na ponta do sapato!
Há poucos dias, estava fazendo o back-up de sessões recentes para o meu disco externo e encontrei as fotos que me deram a idéia para este post. Enquanto esperava a família, fiz algumas fotos da locação. Sempre gosto de chegar um pouco antes para observar a luz, fazer alguns testes, estudar as condições do local. Isso facilita muito para, na hora da sessão, ter a prontidão necessária para captar o momento certo, de que tanto falo em meus posts. Coloco a seguir as fotos que inspiraram este post e que mostram a diferença que faz o desfoque. Coloquei também duas fotos nesse exato local após a chegada da família. Mesmo já tendo blogado sobre esta sessão há algumas semanas, achei que seria interessante colocar algumas fotos novamente aqui neste post, para ilustrar melhor esta questão.

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