Archive for Dicas de Fotografia

Perguntas frequentes e as fotos de uma leitora do blog!

A pergunta que mais recebo é, sem dúvida, sobre equipamento. Todo mundo quer saber que câmera comprar, qual é a melhor lente, se canon ou nikon… Semana passada, recebi um e-mail de uma leitora aqui do blog que está ensaiando os primeiros passos na fotografia profissional de crianças. Trocamos algumas mensagens e ela me autorizou a reproduzir aqui um pouco da nossa conversa. Frustrada, ela me dizia que não aguentava mais gastar dinheiro, que o cartão de crédito já estava nas alturas, e embora tivesse investido muito em compras, suas fotos não refletiam a qualidade do seu equipamento(!). Ela tem uma câmera profissional modelo recente, uma lente zoom caríssima (recomendada num curso de fotografia), flash externo (que nunca usou), entre outras coisas. Queria saber se eu achava que o problema poderia ser a câmera, que ela havia ouvido dizer num fórum que o modelo dela tinha problemas de foco, se isso explicaria a falta de nitidez das suas fotos e se eu achava que era o caso de fazer um upgrade. Disse pra ela que provavelmente não, mas pedi que me enviasse algumas fotos que tinham esse problema para que eu tentasse identificar o “culpado”. Mais do que depressa, entusiasmada pelo oferecimento de ajuda, ela me mandou uma dúzia de fotos. Bastou abrir a primeira para saber exatamente a causa do problema: ela fotografava no modo automático e as escolhas que a câmera fazia não eram adequadas à situação em que estava. Pra começar, a lente dela tem abertura máxima f/4, portanto não é muito luminosa. Por outro lado, é pesada demais, dificultando segurá-la com firmeza. A maior parte das fotos era de crianças em movimento no fim da tarde e a velocidade escolhida pela câmera era 1/40s. Se pensarmos em termos da nossa percepção, 1/40s é um tempo absurdamente curto, mas para a captura da foto 1/40 s é uma eternidade, que permite captar qualquer pequeno movimento, seja da mão que treme com o peso do equipamento ou da criança que se move. Ela deveria estar usando uma velocidade de pelo menos 1/250s para alcançar a nitidez que almejava. E isso intereferia em muitas outras escolhas que ela teria que fazer. Esse era um conhecimento imprescindível para pilotar a máquina. Ela ficou super aliviada em saber que o investimento financeiro que fez até hoje está preservado e ao mesmo entusiasmada para iniciar a etapa de investimento no aprendizado. Tanto que me autorizou a repetir sua história aqui. Ela já avisou que daqui uns meses vai me mandar as fotos do seu progresso, para eu mostrar aqui no blog! Boa Sorte!
Isso me lembra uma história engraçada que aconteceu na minha família há décadas e ainda hoje é lembrada com risadas quando nos encontramos, como aconteceu recentemente. Minha mãe vem de uma família grande, sete irmãos! Um dia meu tio chegou em casa e chamou o irmão para andar em seu carro, havia acabado de comprar um usado de um amigo. Lá foram os dois. Único porém: meu tio não sabia dirigir e não contou esse pequeno detalhe ao irmão. Achando que era fácil, ligou o carro e arrancou, mas na primeira curva foram direto num muro. Felizmente não foi grave e no dia seguinte os dois se recuperavam lado a lado, cada um deitado em uma cama. Repentinamente, o irmão mais velho levantou-se da cama e pulou no pescoço do mais novo, tinha acabado de se dar conta do risco que correra! Da mesma forma que há 50 anos alguém achava que o carro fazia tudo sozinho, hoje tem gente achando que a câmera é mais importante que o fotógrafo. Não é. A câmera é tão boa (ou ruim!) quanto o fotógrafo que está atrás dela!
Estamos acostumados a achar que a tecnologia traz a resposta para todos os problemas. Muitos querem trocar o equipamento fotográfico com a mesma velocidade que trocam de celular, com medo de, a cada avanço da tecnologia, “ficar para trás”. E nessa busca desenfreada pelo último modelo, pela lente mais elogiada, esquecem o principal, o básico, que é aprender a linguagem fotográfica, tanto no que se refere a parte técnica quanto à subjetiva, que engloba a composição, a sensibilidade e o conteúdo.
E não sei por quê, mas na fotografia essa confiança na tecnologia chega à beira do absurdo. Ninguém compra um computador último tipo achando que ele vai fazer o seu relatório sozinho… O processador de textos pode ser ótimo, mas sem conteúdo o texto não existe. O computador é só uma ferramenta, da mesma forma que a câmera.
Admito aqui que comprar equipamento novo é uma delícia. Lembro que quando comprei a minha primeira câmera reflex digital dormi lendo o manual, abraçada com ela! Ridículo, eu sei, mas é verdade. E também já fui vítima de comprar equipamento desnecessário. Pra minha sorte, eu comecei na época do filme, as reflex digitais mais acessíveis ainda não haviam chegado ao mercado, portanto eu fiquei livre dos erros mais caros na busca pelo “upgrade”. Minha compra mais boba foi um tripé, que eu li num livro que era essencial para a nitidez das fotos. De uma hora para outra, surgiu uma necessidade, e eu não descansei enquanto não comprei esse equipamento. A primeira tentativa de fotografar minha filha, na época com quatro anos, com a câmera no tripé, revelou-se um desastre. Eu não conseguia correr atrás dela e ao mesmo tempo carregar o tripé, ela e eu tropeçávamos nele e eu nunca estava onde precisava. Bastaram cinco minutos para que eu percebesse a bobagem e interrompesse a brincadeira antes de acabar estatelada, nariz e câmera no chão! Tripé pode ser excelente para fotografar paisagem, mas o livro esqueceu de dizer que é inútil para fotografar crianças em locação. Eu preciso de liberdade e agilidade para me movimentar e isso não combina com o tripé. Logo depois, ele voltou para caixa, de onde foi resgatado anos depois pela minha filha, que adora fazer vídeos e nesse caso ele é, sim, muito necessário. A única coisa que continuo comprando desenfreadamente até hoje são os livros de fotografia, mas felizmente esse é um gasto totalmente administrável e dele eu não abro mão, desde pequena sou uma leitora voraz. Para quem é como eu, recomendo a Amazon, com livros maravilhos a um preço bastante acessível. Além de livro não pagar imposto, vc ainda tem a opção de comprar exemplares usados, que são bem mais em conta. Outra opção, que não substitui o prazer de ter um livro na mão, mas ajuda muito na hora de escolher qual comprar, é fazer a visualização de várias páginas, seja na Amazon ou no Google. Coloco aqui um link para um livro que eu recomendo, para que vcs vejam que bacana: basta clicar aqui.
Mas comprar é sempre uma tentação nesta profissão, o bolso sofre e o fotógrafo muitas vezes nem tem coragem de admitir para ele ou para a família o quanto gasta. Lembro de uma fotógrafo que conheci num fórum, que assinava seus post com esta frase, tão engraçada quanto verdadeira: “senhor, quando eu morrer não permita que minha mulher venda meu equipamente pelo valor que eu disse a ela que paguei!” rs
Hoje eu recomendo: se você está começando, se não sabe ainda o que é iso, velocidade, abertura, profundidade de campo, fotometria, compensação de exposição, entre vários outros conceitos, aprenda antes de gastar sequer mais um tostão. Se não sabe como esses conceitos se relacionam, o efeito que eles têm no resultado das fotos, não há câmera último tipo que faça de vc um fotógrafo. Um bom livro de fotografia e muito treino vão aumentar a qualidade de suas fotos muito mais do que qualquer equipamento, e por apenas algumas dezenas de reais! Muitos passam horas analisando uma foto em zoom total no photoshop, procurando cada pequena imperfeição que possa ser atribuída a lente, e não dedicam o mesmo empenho à feitura da foto, à composição dos elementos, à história que a foto conta e à emoção que ela evoca.
Uma câmera reflex de entrada e uma lente 50mm f/1.8 (que custa em torno de 450 reais, nova) é tudo o que vc precisa para começar. Depois aproveite essa fase deliciosa de aprender sobre fotografia sem se dedicar a fazer disso um negócio. Aliás, a segunda pergunta que mais recebo e também vou reproduzir minha resposta aqui é esta: comprei uma reflex, meus amigos querem que eu faça fotos dos filhos deles, quanto eu cobro? Na verdade, esta pergunta está diretamente ligada à anterior. Como gastam muito em equipamento logo de cara, ficam ansiosos para ver esse dinheiro voltar logo ao bolso, e a resposta que parece óbvia é fazer da fotografia uma fonte de renda. Minha resposta, que não é muito popular, e esta: quanto deve cobrar quem está aprendendo? Nada! Quem está ainda na fase do aprendizado deve se considerar de sorte se tiver amigos dispostos a ser cobaias. O melhor conselho é aproveitar o hobby sem querer fazer dele um negócio. Faça várias sessões, deixando claro que a pessoa que se dispuser a participar estará colaborando com seu aprendizado. Dessa forma, a relação não envolverá cobrança nem stress (quem paga tem direito de exigir qualidade profissional, não é bom se colocar nessa posição enquanto ainda se está vulnerável, aprendendo.) É importante ter a liberdade para cometer erros, por mais que seja um clichê, é assim que se aprende! Para os amigos que forem cobaias, ofereça algo em troca, como uma dúzia de fotos impressas em tamanho 13X18, como recordação da sessão. Eu comecei assim, e fiz isso por uns dois anos. E me divertia tanto fazendo essas sessões que, honestamente, naquela época eu até pagaria pela oportunidade! rs Para que ninguém abuse, ofereça você a sessão para quem quiser e deixe claro que tudo deve ser de acordo com os seus termos, vc não cobra, mas escolhe a hora e o lugar, por conta da luz, dá palpite no figurino, enfim, comanda a cena. Quando estiver produzindo um trabalho de qualidade profissional de forma consistente, aí sim é hora de avaliar se é o caso de iniciar um negócio. Mas isso é assunto para um próximo post…
E já que comecei falando de uma leitora aqui do blog, nada mais justo do que acabar este texto (que já está enorme, muito maior do que eu pretendia quando comecei), mostrando as fotos de uma outra leitora que já virou uma amiga! Ela está se dedicando à fotografia como hobby, sem pressa, com muito empenho e vontade de aprender. Seguindo meu conselho, adquiriu a lente 50 mm, a melhor relação custo-benefício para quem começar a fazer belos retratos. Como vocês poderão confirmar, ela está se saindo muito bem. A seguir, as fotos de Carla Caseiro, que está começando sua trajetoria na fotografia em Lisboa, Portugal:

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O maior estúdio do mundo!

Tínhamos pouco tempo para esta sessão. Ela não é de São Paulo e viajaria logo depois das fotos. Diante dessa limitação, decidimos fazer as fotos em uma pequena praça e nas ruas em seu entorno.
É como eu sempre digo: pra que estúdio, se eu posso fotografar em qualquer lugar, se o mundo inteiro é um grande e ilimitado estúdio, iluminado pela luz mais bonita de todas, que é a luz natural?
Um dos desafios mais gostosos de trabalhar em locação e chegar em locais muitas vezes desconhecidos, nem sempre perfeitos, e fazer funcionar. À primeira vista, alguns lugares não são o que chamaríamos de fotogênicos. Mas o olhar treinado é capaz de colocar em ordem os elementos, dando sentido à composição e criando um espaço que muitas vezes transcende a realidade, muito mais grandioso e significativo, e que existe apenas dentro desse retângulo bidimensional que é a fotografia.
Além do poder da composição, que organiza o que antes parecia não ter propósito, não podemos esquecer do papel fundamental da luz, que é como um véu, que mostra, esconde, grita e insinua de acordo com a vontade do fotógrafo. É ela que, em última instância, faz o desenho que a gente quiser da locação.
A seguir, algumas das minhas fotos favoritas do dia. Vale destacar a beleza e a simpatia da “modelo”, que se divertiu tanto quanto eu nesta sessão rápida, mas muito compensadora!
Aproveito para lembrar que fotografo gente de todas as idades! Clique aqui e marque sua sessão!

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Dicas de Fotografia: Desfocando o fundo

Muitos leitores aqui do blog me perguntam como são feitos os fundos desfocados das minhas fotos. Tem gente que acha que é tudo feito no photoshop. O programa realmente tem um filtro de desfoque, cujo resultado não chega aos pés do desfoque feito na câmera, além de dar muito mais trabalho e por isso não recomendo. Aliás, não uso o photoshop para esse tipo de ajuste: eu gosto mesmo é de fotografar, fazer a foto na hora, não coloco na edição nada que não tenha sido registrado no momento do click, não sou fã de muita manipulação digital. Tem gente que faz coisa muita legal, mas eu acho que vira uma outra categoria de imagem, uma forma de arte, também, sem dúvida, mas que não combina com a minha visão da fotografia e com o que eu quero expressar.
Eu uso o photoshop para ajustes de cor, brilho e contraste e as correções que faço são sutis, como atenuar uma olheira ou desaparecer com uma espinha enxerida que não tinha nada que aparecer na testa de alguém no dia da sessão de fotos, entre outras pequenas questões.
Mas voltando ao desfoque: em retratos, ele é fundamental. Ele dá profunididade à foto, separa a pessoa do fundo, dá destaque ao assunto e cria uma ilusão tridimensional. Além disso, o fundo fica estilizado, torna-se uma interpretação artística do real que valoriza muito as fotos. Alguns fundos, quando desfocados, assumem características que lembram uma pintura impressionista e não é à toa que esse é meu movimento favorito na pintura.
E qual é o segredo para desfocar o fundo? Essa é uma questão que qualquer bom livro de fotografia explica. Resumindo: três fatores propiciam esse desfoque: a abertura da lente (quanto mais aberta, menor a profundidade de campo, maior o desfoque), a distância focal da lente (as teles tem menor profundidade de campo e portanto são mais propícias ao desfoque) e a distância entre o modelo e o fundo (quanto mais longe o fundo estiver do modelo, maior o desfoque). Claro que é preciso muito treino, porque quando a zona de foco é estreita a exatidão do foco torna-se mais crítica, vc precisa focar perfeitamente no assunto, caso contrário ele vai ficar desfocado também, e o foco vai estar onde não interessa, como no botão da blusca ou na ponta do sapato!
Há poucos dias, estava fazendo o back-up de sessões recentes para o meu disco externo e encontrei as fotos que me deram a idéia para este post. Enquanto esperava a família, fiz algumas fotos da locação. Sempre gosto de chegar um pouco antes para observar a luz, fazer alguns testes, estudar as condições do local. Isso facilita muito para, na hora da sessão, ter a prontidão necessária para captar o momento certo, de que tanto falo em meus posts. Coloco a seguir as fotos que inspiraram este post e que mostram a diferença que faz o desfoque. Coloquei também duas fotos nesse exato local após a chegada da família. Mesmo já tendo blogado sobre esta sessão há algumas semanas, achei que seria interessante colocar algumas fotos novamente aqui neste post, para ilustrar melhor esta questão.

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O segredo do espontâneo

Muitos me perguntam qual é o segredo para fotografar de forma espontânea, sem recorrer à pose. Já disse aqui e repito, é preciso ter prontidão, estar sempre atento e não tentar impor a sua visão e sim seguir o fluxo dos acontecimentos.
Sempre fui, desde criança, uma observadora de pessoas. Gosto de olhar o jeito, o movimento, a maneira de falar, gesticular, gosto de olhar os olhos. Quanto mais a gente treina esse olhar, mais é capaz de perceber, rapidamente, o que faz de alguém um ser único e especial, qual a particularidade que só quem nos conhece bem percebe e se encanta. Quando captamos a singularidade de cada um, temos uma foto que é emoção muito mais do que registro, e é isso que faz com que ela seja valorizada a apreciada por muitos anos. Principalmente quando se trata de crianças, que mudam tão rapidamente. Quando a mãe olha a foto de um filho e diz: “nossa, esse é o sorriso dele, que eu nunca consigo pegar nas fotos”, vc sabe que atingiu seu objetivo!
Para poder se concentrar na sensibilidade, a parte técnica tem que estar perfeitamente dominada. Se o fotógrafo precisar pensar para fazer os ajustes da câmera, pode esquecer a foto. Quando ele tiver acabado de decidir que velocidade usar, selecionado a abertura ou perdido tempo com o foco, a criança já estará longe e o momento especial, perdido para sempre. Porque não adianta dizer: “vem aqui e faz de novo!” Só o que se consegue com esse tipo de atitude é que a criança olhe para você com cara de paisagem e ache que tirar fotos é uma coisa muito chata.
Com certeza, essa não foi a impressão que o pequeno das fotos a seguir teve da sessão de fotos. Ele adorou cada momento e fez desta uma sessão muito gostosa. Foi tão gostoso fotografá-lo que eu não queria parar! A luz também estava linda, e as cores no parque especialmente vibrantes, após uma chuva rápida que caíra minutos antes da sessão.
Os sorrisos eram um capítulo à parte. Nunca vi tantos! Ele não parou de rir um minuto sequer! Cheio de energia, ele corria, pulava, brincava, sempre sorridente! E, como vcs podem ver nas fotos, além de muito simpático, ele também é lindo demais!

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