Archive for November, 2009

O que me inspira

Quem está em São Paulo sabe como tem sido esquisito o clima nos últimos dias. Um calor forte e abafado e temporais diários. Sol e chuva se revezam sem aviso. No meio da noite, o tempo vira e fica friozinho até, mas como na hora de dormir o calor ainda está forte, ninguém pensa em colocar cobertas.
Hoje acordei às 5 da manhã, procurando uma colcha pra puxar. Tinha dormido com a janela meio aberta e o quarto estava gelado. Pensei que a Luísa deveria estar com frio tb e fui ao quarto dela. Encontrei minha pequena, ou melhor dizendo, minha comprida! rs, dormindo toda encolhida, as pernas e braços geladinhos. Peguei a colcha que ela tinha jogado longe no começo da noite e coloquei sobre ela. Sentindo o calor e o peso da coberta, ela abriu os olhos, durante um segundo, acho que sequer acordou de verdade, me viu e sorriu pra mim o mais lindo sorriso, aquele que começa nos olhos mas o rosto inteiro sorri. No mesmo instante, fechou os olhos e dormiu de novo. Mas aquele olhar encerrou tantos significados, ele parou o tempo pra mim e tornou concreto todo o amor que nos une.
São momentos assim que me inspiram e que quero preservar para sempre em minha memória. Mas, claro, é impossível fazer essa foto, e eu nem tentaria às cinco da manhã! rs Mas o que vejo e sinto fica em mim, e eu busco o mesmo olhar, o mesmo sorriso, em outros instantes, momentos, dias… E é isso que busco tb em meu trabalho: intuitivamente reconhecer o instante, a expressão e o sentimento que define e representa cada família, cada criança, cada pessoa.
Outro dia, estava pensando que quando falamos em fotografia falamos em capturar o momento. Fiquei pensando nesta palavra: capturar… Ela significa prender, deter, tomar posse. A gente captura o que foge, o que passa. A fotografia é a tentativa de tomar posse do tempo, de tentar deter com os dedos a areia que passa na ampulheta dos dias. E a gente sabe que passa, nada muda essa verdade implacável. Mas um pequeno grão de areia fica entre os dedos, pra sempre, preso dentro dos limites desse retângulo que é a fotografia. Esse poder me inspira!
Outra coisa que gosto de fazer é tranformar a fotografia em brincadeira de criança. Uma vez, há alguns anos, fiz uma fotonovela tipo velho oeste com minha filha e meus sobrinhos. Eles estavam na fase de brincar assim, até fantasias eles improvisavam, e eu achei que entrar na brincadeira com a minha câmera seria uma ótima oportunidade. Uma das fotos que resultou desta brincadeira foi esta, que até hoje eu adoro! Com direito a arma de lego e cara de mau!
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Outra coisa que gosto de fazer é fotografar situações semelhantes através dos anos. Por exemplo, a Luísa, desde pequena, pula quando está feliz. Tenho uma infinidade de fotos dela pulando, em diferentes épocas e situações. Já dá pra se dizer que é uma série. A seguir, uma antiga, da época do filme ainda!
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E uma mais recente:
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E mais uma, pra mostrar que o pulo é mesmo parte do jeito dela: este pulo eu não esperava, nem acreditei quando vi no visor da câmera que consegui pegar o momento exato em que ela estava no ar. Feliz da vida com o presente de Natal que ganhou dos primos, ela não se conteve e comemorou com um grande salto!
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Falando mais objetivamente, outra fonte de inspiração são os projetos pessoais, que eu mesma me proponho. Muitas vezes não têm nada a ver com meu estilo e seus resultados não aparecem diretamente em meu trabalho, mas a influência indireta é grande: esses projetos ajudam a apurar meu olhar criativo e a me manter sempre renovada e estimulada. Já disse aqui que sou autodidata, adoro estudar, pesquisar, aprender coisas novas e experimentar com a fotografia. Agora mesmo estou trabalhando em um projeto que pretendo mostrar aqui antes do Natal. Só para dar uma dica, tem a ver com o trabalho de Norman Rockwell. Assim que estiver pronto, ainda estou na fase do estudo e planejamento, coloco aqui no blog para vcs conhecerem esse outro lado.

E completando este post sobre inspiração, recomendo um livro maravilhoso para quem gosta de retratos. Outro dia, estava na FNAC e me surpreendi quando o vi exposto. Já tinha tentado comprar até na Amazon, sem sucesso. O livro é este: FRIENDSHIP FAMILY LOVE & LAUGHTER – Geoff Blackwell. Ele inclui as 150 fotografias vencedoras de um concurso realizado no ano passado, escolhidas por Elliott Erwitt, um dos meus fotógrafos favoritos. As fotos celebram momentos de intimidade, riso e união familiar. Quem quiser comprar, recomendo que o faça pela Internet, o preço é mais em conta do que na loja. O livro é maravilhoso e tenho certeza, trará muita inspiração!
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Aproveito para lembrar que o concurso de Natal está em andamento. Já recebi várias inscrições, obrigada! Para saber mais detalhes, leia o post sobre o concurso clicando aqui.
A D80, acompanhada da lente 50mm f/1.8 continua à venda. Para saber mais, leia este post.

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Brisa

Fizemos esta sessão no fim da tarde de um dia quente que parecia verão. Mas o calor, embora forte, era suavizado por um ventinho fresco e gostoso que nos acompanhou durante todas a sessão. O parque estava vazio e a luz maravilhosa, e a “modelo” tão linda e simpática que a sessão fluiu leve, suave e gostosa. Por isso o título: brisa!
Um dos objetivos da sessão era fazer quatro fotos que seriam emolduradas para decorar o quarto dela. O irmão menor também foi, e aproveitamos alguns minutos no final da sessão para fotografá-los juntos, já que a “estrela”, nesse dia, era ela!
As fotos escolhidas para o quadro são as quatro primeiras deste post, exatamente as mesmas que eu escolheria. No momento exato que fiz essas fotos, brinquei com ela: essas vão para a parede do seu quarto! Já soube que o quadro ficou lindo, fez o maior sucesso na loja de molduras e está agora enfeitando o quarto novo dela.
Fotografar crianças mais velhas é sempre uma experiência muito divertida. Elas participam, trazem idéias, envolvem-se ativamente na sessão. Claro que os maiores, muitas vezes, começam mais tímidos. Ao contrário dos pequenos, a criança maior sabe exatamente o que está acontecendo e fica meio sem saber o que fazer, um pouco “sem graça”. Depois de uma primeira conversa, sempre peço a quem acompanha a criança que assista a sessão de longe, porque é mais fácil romper a barreira da timidez se eu tiver a atenção exclusiva da criança. Claro que é importante, para que todos se sintam seguros, que a família esteja sempre no campo de visão, mas não perto demais a ponto de acompanhar cada lance da sessão. Quando tem “platéia” assistindo, a primeira reação da criança é fazer graça, para aliviar a timidez, e a conexão com o fotógrafo acaba prejudicada.
Não foi o caso aqui: ao som dos primeiros cliques, ela já estava completamente à vontade e entusiasmada, adorando cada minuto. E eu também. Nos divertimos conversando sobre a Hannah Montanna, Crepúsculo, Lua Nova (que, aliás, eu vi no dia da estréia com a minha filha e as amigas e adorei!). Aproveito para dar uma dica. Quem quer fotografar crianças, deve conhecer o universo delas, interessar-se de verdade pelo que elas falam. Eu tenho a sorte de ter uma filha e sobrinhos e participar ativamente da vida deles, portanto esse conhecimento vem naturalmente. Mas quando não é esse o caso, é importante que o fotógrafo procure estar informado e saiba conversar, com interesse genuíno, sobre os assuntos que interessam a essas crianças.
A criança percebe quando o fotógrafo está interessado no que ela traz, e é esse interesse que abre o espaço para que ela se solte e as fotos revelem quem ela é. Foi assim aqui! A seguir, as fotos desta linda menina e da sessão suave como uma brisa!

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Concurso de Natal! Participe!!!

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A ilustração aí de cima foi feita pela minha filha, Luísa. Ela adora desenhos em estilo mangá e caprichou na encomenda que eu fiz aqui para o blog! Até o meu logo ganhou tema de Natal, embrulhado pra presente! Essa toda feliz aí embaixo, sou eu, segurando uma foto do Papai Noel. Adoro Natal e este ano vou dar um presente a um dos leitores aqui do blog, escolhido por concurso! O vencedor ganhará uma sessão de fotos e um fotolivro pequeno de 20 páginas.

Regras do Concurso:
Ao contrário do concurso anterior, este é aberto para todo mundo. Não tem restrição de idade, gênero ou profissão. Portanto, é aberto inclusive para os colegas fotógrafos ou aspirantes. No último concurso, várias pessoas me escreveram reclamando por terem sido excluídas, rs, então desta vez, todos serão bem-vindos a participar, afinal é Natal… ;-) Quem participou do concurso passado também pode participar novamente, mas claro, as ganhadoras ficam de fora.
A sessão será para uma pessoa sozinha ou para um grupo familiar de no máximo quatro pessoas. O resultado do concurso será publicado no dia 20 de dezembro e a sessão será marcada para o início de 2010, de acordo com a minha disponibilidade assim como a do vencedor. A sessão será realizada na cidade de São Paulo.
Para participar, envie um texto respondendo a seguinte pergunta:
“Por que eu quero ganhar uma sessão de fotos neste Natal?”
Mande junto com a inscrição uma foto do participante (ou dos participantes, se for um grupo familiar), além do nome completo e endereço. As inscrições devem ser feitas até o dia 18 de dezembro. Participe!
E quem quiser divulgar o concurso entre os amigos ou em seu blog, fique à vontade.

Outros recados aqui do blog:

A D80 continua à venda. Quem se interessar, entre em contato.

Tenho recebido algumas consultas sobre fazer sessões no Rio de Janeiro. Não tenho nada marcado ainda, mas de acordo com o interesse posso programar alguma coisa para o início de 2010. Portanto, se vc está no Rio de Janeiro e gostaria de fazer uma sessão comigo em sua cidade, pode manifestar seu interesse, sem compromisso, clicando aqui. Oportunamente enviarei mais detalhes aos interessados.

Quem quiser presentar alguém no Natal com um “vale sessão de fotos” (a ser realizada em 2010), entre em contato comigo.

Agora vou sair e comemorar, porque hoje é meu aniversário! ;-)

A seguir, algumas fotos do Natal de 2008.

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Cores e flores

Há quatro anos, quando coloquei no ar a primeira versão do meu site de fotografia, escolhi “True Colors” para ser o fundo musical. Desde então, já atualizei o site várias vezes, mudei o design, acrescentei fotos e textos, mas a música permaneceu.
Ela resume exatamente o que eu busco: fazer brilhar as verdadeiras cores de cada um que passa pela lente da minha câmera.
Quando comecei a editar as fotos desta sessão, sem perceber estava cantarolando True Colors, e foi assim que escolhi a música deste slide-show.
Quem acompanha meu trabalho sabe que embora a cor seja um elemento forte do meu estilo, eu também adoro e sempre faço fotos em preto e branco. Mas nesta sessão, eu vi colorido. Todas as fotos trasbordavam cor. Vez ou outra, eu fazia uma conversão para o pb, mas sempre a cor vencia e quando terminei, vi que pela primeira vez fiz uma sessão inteiramente em cores. E da mesma forma que as fotos determinaram o colorido, foi esta pequena que determinou o que seria a sessão. Pois esse é o segredo para as fotos espontâneas que todo mundo quer: saber olhar.
Mas não se enganem, para se entregar ao espontâneo, é preciso planejar. Sempre digo que a sessão não pode começar sem duas coisas: atenção e intenção. Quando chego à locação, sempre antes que o cliente, observo a luz, exploro cada canto do lugar, descubro a paleta de cores disponíveis e os elementos visuais que posso usar nas fotos. Quando quem será fotografado chega, eu observo o jeito, as roupas, as cores e combino tudo isso com a observação que fiz do local. Em poucos minutos, enquanto troco as primeiras palavras, vou combinando o que vejo nas pessoas e o que vi na locação e começo a constuir a sessão. Num primeiro momento, embora possa parecer, nada é por acaso. Cada escolha tem intenção, fruto da observação atenta que faço de todos os fatores.
O resultado dessa parceria entre atenção e intenção é que eu fico pronta para o principal: o momento verdadeiro. Como um pintor, que nos momentos de inspiração pinta freneticamente sem precisar pensar para misturar as tintas, chega um momento da sessão em que tudo se encaixa, é quase como se eu pudesse antecipar cada movimento, cada gesto, e capturá-lo para sempre, inserido numa composição onde tudo faz sentido. Eu fico totalmente ligada nas pessoas, nas relações, nos movimentos e desenho as fotos à medida que acontecem, sabendo exatamente onde está cada elemento disponível sem precisar olhar, aproveitando a luz sem precisar pensar e me movendo de forma a incluir o que desejo na foto.
É importante não confundir intenção com direção, a intenção é como se fosse o esboço, mas a pincelada não está pronta, ela vem da interação verdadeira e da sensibilidade na captura e sempre surpreende.
Um exemplo desta sessão: ainda no começo, chamou a minha atenção uma folha enorme caída na grama, enfeitada por uma pequena flor amarela. Logo veio a intenção de colocar a pequena modelo neste cenário. Imaginei que talvez ela brincasse com a flor, compondo uma cena delicada. Mas ela tinha outras idéias: em menos de um segundo, jogou tudo para o alto, com uma expressão linda de felicidade. E eu fotografei sem parar, porque o mais lindo é sempre o que não óbvio e onde eu vi flor, ela viu tronco, e me mostrou feliz seu maior tesouro, do qual não se separou durante toda a sessão – e que levou para casa no final! Esse pequeno tronco foi flor, boneca, telefone e apareceu, glorioso!, em quase todas as fotos! E enriqueceu a sessão com verdade, que é pra mim a grande revelação!

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Eu não busco nem quero que a criança represente a minha visão. Eu quero que ela se sinta à vontade comigo para me mostrar quem é. Nem me passaria pela cabeça colocar a folha e a flor de volta no lugar que estavam, pedir que ela ficasse pertinho delas e sorrisse pra mim. Não. Eu não faço assim. Seria um grande desperdício, e na minha opinião não existe desperdício maior que o da verdade. É ela que faz a foto e é ela que nós faz quem somos.
Esta sessão foi um grande presente para mim. Fiz fotos que tenho certeza que estarão entre as minhas favoritas para sempre. Com esta pequena, vi o que não é óbvio, vi o mais simples, vi o mais lindo. E foi tudo tão tranquilo que nem vi o tempo passar. Ela é um encanto. Enquanto andava atrás dela pelo bosque, ela parou e estendeu os bracinhos para mim, pedindo colo. Fez isso mais de uma vez, cheia de doçura e confiança. Pena que essa foto, com a “modelo” em meu colo, eu não pude tirar, já que a câmera perdeu o lugar. ;-)
Poderia terminar dizendo que foi a primeira vez que fotografei uma criança com síndrome de down. Mas isso não fez a menor diferença. Todas as sessões encerram alguma primeira vez, e se não fosse sempre assim, se fosse sempre igual, não teria o mesmo encanto para mim. O que eu busco no meu trabalho, e sempre encontro, é o que faz com que cada um de nós seja único.
São as tais cores verdadeiras que diz a música. São tantas as nuances que até hoje não fiz uma sessão que fosse igual à outra. São essas diferenças que me inspiram. Que seja sempre assim!

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Para ver uma versão maior do slide-show, clique aqui.
A seguir, uma seleção das minhas fotos favoritas:
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