Você já foi a Paris?

É impressionante como não tenho tempo para organizar, sequer imprimir, minhas próprias fotos. São tantas que vão se acumulando que eu nem sei por onde começar, e por isso não começo. Na época do filme, era fácil: fotografava, revelava, chegava em casa com um envelope cheio de fotos e colocava tudo em álbuns. Agora, além de fazer muito mais fotos, o fato de poder vê-las quase que instantaneamente no computador faz com eu que vá protelando a impressão, e os discos rígidos vão ficando cheios, a estante de dvds, lotada e o drive-externo que quando eu comprei parecia tão imenso já está ficando pequeno.
Há umas duas semanas, comprei um porta-retrato branco para a minha mesa. Cheguei em casa, tirei da sacola e coloquei direto na minha mesa, com planos de escolher logo uma foto para colocar nele. Quem disse que tive tempo? Os dias foram passando e o porta-retrato continuava ostentando a mesma foto que veio da loja – aqui preciso fazer uma pausa para dizer que a foto que veio é excelente: uma linda família jovem e feliz, numa praia maravilhosa, um mar azul daqueles que fazem a gente sonhar com férias e um sol brilhante que me faz pensar no cheirinho gostoso do protetor solar… Confesso que gosto de olhar pra essa foto, e isso somado a falta de tempo de explorar meus arquivos para escolher e imprimir uma foto recente, me fez deixá-la no porta-retrato. A minha filha sempre protesta, “mãe, isso é ridículo!” Aliás, é ela que também pega no pé da avó pelo mesmo motivo. Minha mãe tem em sua casa, há tempos, uma caixa de fotos cuja tampa funciona como um porta-retrato para múltiplas fotos. As que estão exibidas são exatamente as que vieram da loja, cenas nas ruas de Paris, e a neta sempre implica, fazendo graça: “Bonito, né, vó! Você nunca nem foi a Paris!” E minha mãe responde rindo: “Que que tem? Eu gosto das fotos, um dia eu vou!” E os parisienses e a Torre Eiffel continuam enfeitando a caixa, desafiando a lógica e incorporando o sonho. Por que não?
Estava pensando nisso agora há pouco enquanto trabalhava no computador. Aí meu sobrinho de oito anos entrou no quarto, parou perto da minha mesa e perguntou, curioso: “Quem são esses aí?” Rindo, respondi: “não conheço, nem faço idéia, veio da loja assim.” Ele me olhou como se eu fosse doida, será que a tia fotógrafa não sabe para que servem os porta-retratos? Enquanto ele se afastava intrigado, eu pensei que era essa a gota d’água, e que era hora de tomar vergonha e trocar a foto. Retrubuí o sorriso da simpática família sorridente pela última vez, abri o porta-retrato e tirei a foto deles, substituindo por uma nossa. Agora sim!
Uma última confissão: quando preparo a entrega de fotos para meus clientes fico morrendo de inveja. Quando vejo aquela caixa cheia de fotos impressas em diferentes tamanhos, tenho vontade de ficar com tudo para mim! rs É uma delícia ver a reação dos clientes quando recebem a caixa, o brilho em seus olhos lembra uma criança em manhã de natal! Realmente o prazer de ter as fotos nas mãos, olhar, mostrar, colocar num álbum, fazer um quadro, não se compara ao folder cheio de fotos no computador!
E como não podem faltar fotos em um blog de fotógrafo, a seguir a foto da minha mesa com o tal retrato da “família que eu nem conheço” e uma foto de uma entrega já preparada para uma cliente. Aposto que, como eu, vocês vão ficar com vontade de ter uma igual! É fácil: entre em contato, saiba como funciona meu trabalho e marque uma sessão: você verá como é gostoso estar cercado de fotos especiais!

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